Bancários de todo o Brasil cruzaram os braços nesta quinta (20) em uma paralisação de 24 horas que atinge bancos públicos e privados. A mobilização foi aprovada em assembleia nacional da categoria e busca pressionar a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a apresentar uma proposta de reajuste salarial, após oito rodadas de negociação sem avanço no índice econômico.
No Paraná, a paralisação se concentra por enquanto em Curitiba e Londrina. Ivan dos Santos, diretor financeiro do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Guarapuava (Seeb), explica: "Eles estão se mobilizando nas duas maiores cidades do Paraná nesse momento, onde tem um maior número de agências, centros operacionais, centros administrativos e centro de tecnologia também."
Conforme o dirigente, as pautas seguem sendo as mesmas em todo o território nacional, sem reivindicações específicas para Guarapuava até o momento. Apesar da adesão do Seeb, as agências continuam funcionando normalmente no município.
De acordo com ele, novas paralisações não estão descartadas. "Estamos aguardando a nova rodada de negociação com a Fenaban. Não havendo uma proposta que seja aceita pelos bancários, nada impede de ocorrer novas paralisações em outras cidades do Paraná", diz Ivan.
O QUE OS BANCÁRIOS PEDEM
A categoria reivindica reajuste real de salário, valorização do piso, melhorias nos vales-refeição e alimentação, aumento na participação nos lucros e resultados (PLR) e a criação de um piso próprio para trabalhadores de tecnologia da informação.
Conforme a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), o lucro anual por empregado nos bancos chega a R$ 438 mil, enquanto o patrimônio líquido do setor bateu R$ 1,2 trilhão em 2025. Já a distribuição de PLR encolheu. Em 1995 os bancos privados chegavam a repassar até 14% do lucro aos trabalhadores; em 2025, a média caiu para 5,9%.
FENABAN RECUA, MAS AINDA NÃO APRESENTA ÍNDICE
Na oitava rodada de negociação, na terça (18) em São Paulo, a Fenaban retirou da mesa dois pontos criticados pela categoria: o reajuste escalonado por faixa salarial e o congelamento do piso. Apesar do recuo, os bancos ainda não colocaram um índice econômico concreto na mesa - discussão que ficou para a próxima rodada, antecipada de terça (25) para segunda (24).
Gladir Basso, presidente da Federação dos Bancários do Paraná (Feeb-PR), avalia que a retirada das duas propostas mostra que a pressão da categoria começa a surtir efeito. Porém, reforça que ainda falta uma proposta que recomponha a inflação do período e garanta ganho real de salário.
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RSN.