Galhos sobre a rede elétrica derrubam a energia com frequência na comunidade de Barreiros, na área rural de Guarapuava. Segundo moradores, os rompimentos se repetem desde que a Copel instalou uma rede nova sob araucárias, concluída em dezembro de 2025.
O episódio mais recente começou no sábado (3). Um cabo rompeu após a queda de galhos e ficou três dias caído na estrada. O reparo só veio na tarde de terça (6), depois que o morador João Pedro Moraes de Moura foi pessoalmente à base de serviço da empresa.
Confira aqui o trajeto da rede elétrica entre as araucárias e o ponto onde o cabo rompeu.
ROMPIMENTOS REPETIDOS
Registros enviados por moradores mostram a sequência de problemas. Em 30 de janeiro de 2026, o cabo rompeu no mesmo ponto da ocorrência atual. Em março, os moradores fotografaram um galho sobre os fios junto a uma chave da rede que, de acordo com eles, desarma com frequência.

Entre 29 de junho e 1º de julho, uma nova série de quedas gerou ao menos dez protocolos de atendimento, conforme lista enviada à reportagem. Segundo João, em outras ocasiões a região ficou dois ou três dias sem energia, com o fio na estrada.
A fiação faz parte de uma rede trifásica instalada ao longo de cerca de 16 km de estrada, até a ponte do Rio Jordão. Uma foto de julho de 2025 mostra os postes sendo erguidos sob a copa de araucárias. Imagens recentes mostram os fios passando entre os galhos. "A Copel instalou postes novos à margem da via, mas não fez poda, remoção, nada".

O Portal RSN procurou a Copel, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
MANUTENÇÃO PROMETIDA
Em 6 de julho, a Copel respondeu a um protocolo de desligamentos frequentes registrado na localidade. A empresa afirmou que os indicadores de continuidade do fornecimento estavam dentro dos limites da Aneel.
No mesmo documento, a Copel informou que faria intervenções de manutenção preventiva na região nos 90 dias seguintes. O prazo terminou em 4 de outubro, um dia após o cabo cair.
João relata que o cabo rompido no sábado seguia energizado. Ele conta que registrou protocolos desde então, sem atendimento. Na última terça, localizou a base de serviço da Copel em Guarapuava e foi até lá.
Segundo o morador, havia uma única pessoa na central de operações. O funcionário teria dito que uma equipe só iria ao local na semana seguinte. Depois de ver fotos e vídeos, ele fez uma ligação. Em cerca de 30 minutos, um caminhão e uma caminhonete da Copel chegaram ao trecho.
De acordo com João, a equipe precisou desligar a energia, porque o fio provocava curto-circuito na estrada. Só depois, fez o reparo.

DENÚNCIAS ANTERIORES
O problema já havia chegado a outros órgãos. Em junho de 2025, João enviou à ouvidoria da Copel uma reclamação sobre quedas frequentes de energia, com cópia ao Procon e ao Ministério Público do Paraná (MPPR). A ouvidoria respondeu no mesmo dia, com orientações sobre os canais de atendimento.
Em novembro de 2025, ele registrou denúncia ao MPPR pelo Fala.BR, plataforma de ouvidoria do governo federal. No texto, relatou que os cabos novos estavam encostados ou abaixo de galhos de araucárias, pinus e eucaliptos, sem poda. A Ouvidoria do MPPR respondeu que trata apenas de reclamações sobre o próprio Ministério Público e o orientou a procurar a Copel.
João diz que vai insistir. "Não compensa arriscar a vida de terceiros, ficarmos sem energia", afirma. "O negócio vai ser no Ministério Público."
RESPONSABILIDADE
Pelas regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), cabe à distribuidora podar e suprimir árvores próximas à rede em áreas rurais. A norma está na Resolução Normativa 1.000, de 2021. A própria Copel estima que a vegetação cause cerca de 40% das interrupções de energia.