As mulheres representam 53% do eleitorado paranaense e chegam às eleições de 2026 como maioria entre os votantes, mas ainda diante de um cenário grave de violência.
No primeiro semestre deste ano, conforme dados da Segurança Pública, o Paraná registrou 55 feminicídios. O tema aparece nos planos dos candidatos ao governo, mas com diferenças importantes no nível de detalhamento e nas estratégias apresentadas.
Entre as propostas mais recorrentes estão delegacias especializadas, Patrulha Maria da Penha, casas-abrigo, apoio financeiro, monitoramento de agressores e integração entre polícia, Justiça, saúde e assistência social. Em alguns programas, porém, as medidas são mais genéricas; em outros, há instrumentos concretos de prevenção e proteção. O G1-Paraná fez um levantamento considerando planos de governo dos oito candidatos ao Governo do Paraná.
Adriano Funileiro (PCO) e Alexandre Salomão (Mobiliza) não detalham políticas específicas de enfrentamento à violência contra a mulher no material analisado. Luiz França (Missão) inclui o tema dentro de uma política mais ampla de segurança pública, baseada em metas e avaliação de resultados, mas sem apresentar uma rede específica de proteção.
Entre os planos com propostas mais estruturadas, Requião Filho (PDT) prevê fortalecimento da Secretaria da Mulher, centros integrados de atendimento e ampliação do atendimento policial especializado. Samuel Mattos (PSTU) propõe Delegacias da Mulher 24 horas, casas-abrigo, centros regionais de referência e auxílio financeiro às vítimas.
Sandro Alex (PSD) concentra parte das medidas na prevenção do feminicídio, com Patrulha Maria da Penha, botão do pânico, avaliação de risco e monitoramento de agressores reincidentes.
Sergio Moro (PL) aposta em tecnologia e integração de dados, com uso de inteligência artificial para identificar situações de risco e protocolo estadual de atendimento.
Já Tayná Miessa (UP) combina proteção policial, acolhimento e autonomia financeira, com delegacias 24 horas, ampliação de abrigos, assistência jurídica gratuita e auxílio financeiro por até 12 meses para mulheres vítimas de violência.
A comparação mostra que o debate vai além da promessa de “combater o feminicídio”. A diferença entre os programas está em como cada candidatura pretende agir antes que a violência chegue ao extremo. Monitoramento de risco, estrutura de acolhimento, independência econômica e integração entre os serviços públicos são os pontos que distinguem as propostas mais detalhadas das formulações mais genéricas.