Uma nova reviravolta toma conta da candidatura de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado Federal. O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Floriano de Azevedo Marques, indeferiu neste sábado (3) o registro de campanha do ex-procurador da Operação Lava Jato. Com a decisão, os votos que Deltan receber neste domingo (4) serão considerados nulos.
Por se tratar de uma decisão monocrática de Marques, a decisão da cassação da candidatura ainda será submetida ao colegiado do TSE. Os efeitos da suspensão deverão ser imediatos, independentemente de novas análises posteriores do plenário.
O ministro reafirmou o entendimento da decisão tomada pelo TSE em 2023, quando Deltan teve o cargo de deputado federal cassado, apresentando o mesmo pedido de exoneração submetido pelo então procurador da República em novembro de 2021, nas mesmas circunstâncias e envolvendo os mesmos procedimentos administrativos. Para a corte, a saída teve o objetivo de evitar a inelegibilidade do ex-procurador.
Floriano atendeu a um recurso apresentado pela coligação Paraná para Todos, que apoia a candidatura de Requião Filho (PDT) para o governo do estado. O grupo questionava a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, que autorizava o candidato do Novo a disputar a candidatura para o Senado.
DEFESA DE DELTAN
Segundo a defesa de Deltan Dallagnol, mesmo a Lei da Ficha Limpa prevendo oito anos de inelegibilidade para integrantes do Ministério Público que deixaram o cargo enquanto respondem a processos internos. A argumentação vinha de que o quadro já havia mudado. Junto disso, com arquivamentos de procedimentos no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e novos documentos sobre as circunstâncias em que Deltan deixou o cargo.
Contudo, o ministro entendeu que o TRE-PR não poderia adotar uma interpretação diferente daquela firmada pelo TSE sobre os mesmos fatos sem demonstrar uma mudança relevante.
MUDANÇA NO PÁREO
De acordo com a última pesquisa da Quaest, Deltan Dallagnol (Novo) estava empatado na liderança com os candidatos Felipe Barros (PL) e Alexandre Curi (PSD). Agora, com os votos na chapa de Deltan anulados, o páreo muda. A candidata Gleisi Hoffman, quarta colocada com 15% das intenções, saltaria para a terceira colocação.