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Diarista ferida após queda durante trabalho recorre a vaquinha para sobreviver
Sem renda fixa e afastada após acidente, Anne Lopes Nogueira diz que dependeu de amigos, rifas e doações para se manter
Thiago de OliveiraJornalista
5 min de leitura
Deuksiane Lopes Nogueira, conhecida como Anne, tem 46 anos (Foto: Arquivo pessoal)
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A queda de uma escada mudou a rotina da diarista Deuksiane Lopes Nogueira, moradora de Guarapuava. Trabalhadora autônoma, sem registro em carteira e sem renda fixa, ela afirma que passou a depender da ajuda de amigos, rifas e agora de uma vaquinha virtual depois de sofrer um acidente enquanto trabalhava.
Anne, como é conhecida, conta que o acidente ocorreu em 12 de fevereiro, em um dos locais onde prestava serviço como diarista e zeladora. Ela caiu de uma escada com cerca de cinco degraus e sofreu uma fratura na fíbula.
Depois da queda, vieram consultas, imobilização e o afastamento forçado. Sem poder trabalhar normalmente, a diarista viu a renda desaparecer quase de forma imediata.
“Não tenho renda fixa nem registro em carteira e, por conta do acidente, ficarei parada. Acabei perdendo um trabalho de cinco anos e agora estou com o pé engessado.”
[caption id="attachment_331188" align="aligncenter"]Atestado de afastamento de trabalho (Foto: Anne Nogueira)Atestado de afastamento de trabalho (Foto: Anne Nogueira) Atestado de afastamento de trabalho (Foto: Anne Nogueira)[/caption]
RECUPERAÇÃO INTERROMPIDA POR NOVA COMPLICAÇÃO
Anne relata que, após a retirada do gesso e novos retornos médicos, recebeu outro diagnóstico preocupante: início de trombose, associado ao período de pouca movimentação do pé lesionado.
“No dia 13 de abril, passei em consulta e o médico informou que estou com começo de trombose devido à falta de movimentação no pé.”
Com isso, o tratamento precisou continuar. Além do repouso, ela passou a fazer fisioterapia para tentar recuperar os movimentos e reduzir a dor.
“Agora o médico me pediu para fazer fisioterapias. Já fiz três, são dez sessões.” Mesmo assim, ela diz que ainda convive com limitações físicas importantes. “Não consigo dobrar o pé. Ele incha demais. Sinto muita dor.”
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SEM DIREITOS TRABALHISTAS, A CONTA CHEGA RÁPIDO
A diarista resume a vulnerabilidade enfrentada por quem trabalha de forma autônoma e depende do serviço diário para sobreviver. Sem contribuição ao INSS e sem formalização, ela afirma que não conseguiu buscar auxílio.
“Eu não trabalho registrada. Não fui procurar recurso nenhum, porque não tenho MEI, não pago INSS por trabalhar por dia.” Na prática, isso significa ausência de salário durante o afastamento e nenhuma cobertura automática diante do acidente.
Enquanto não podia trabalhar, Anne diz que contou com a solidariedade de pessoas próximas para comer, comprar remédios e pagar parte do aluguel. “No momento, estou sobrevivendo com ajuda de amigos e rifas. Quem não podia ajudar com dinheiro trouxe comida. Outros compraram remédio para mim.”
Ela também recebeu apoio de familiares que moram fora do Paraná. “Tenho um primo que mora nos Estados Unidos e ele me ajudou no começo do mês. Foi o dinheiro que consegui para pagar metade do meu aluguel.”
PERDA DE TRABALHO APÓS CINCO ANOS
Além da lesão, Anne conta que perdeu um dos serviços que mantinha havia anos. Segundo ela, avisou os contratantes sobre o acidente e o tempo necessário de recuperação, mas depois recebeu a informação de que não precisariam mais do trabalho dela.
“Onde eu trabalhava por cinco anos eu não era registrada. Avisei que tinha caído, que tinha me machucado e ia ficar em casa. Depois simplesmente disseram que não precisavam mais.”
A situação agravou ainda mais o impacto financeiro, já que ela dependia de diferentes diárias para compor a renda mensal.
VOLTA ANTECIPADA AO TRABALHO POR NECESSIDADE
Sem reservas e com contas vencendo, Anne diz que precisou retornar ao trabalho antes da recuperação completa. Hoje, aceita apenas serviços leves e de meio período, quando aparecem. “Comecei a trabalhar semana passada, mas não aguento trabalhar o dia todo mais [...]. Estou conseguindo pegar só meio período de serviço.”
Ela explica que tarefas mais pesadas ou locais com escadas se tornaram um desafio.
“Não consigo pegar serviço pesado. Não consigo subir escada.” Mesmo com dores e inchaço, segue trabalhando para tentar se manter. “Agora estou indo trabalhar assim mesmo, com o pé inchado, sem conseguir dobrar o pé.”
ALUGUEL E CONTAS BÁSICAS SÃO A PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO
Morando sozinha em Guarapuava e sem parentes próximos na cidade, Anne afirma que a maior urgência neste momento é manter as despesas básicas em dia. “No momento seria para pagar meu aluguel. Porque comida, graças a Deus, sempre aparece alguém e traz.”
Na campanha criada na internet, ela pede contribuições de qualquer valor e também o compartilhamento do link shre.ink/vaquinaanne. Interessados em ajudar também podem contribuir via Pix: 6067568@vakinha.com.br
[caption id="attachment_331280" align="aligncenter"]Página da vaquinha na internet (Imagem: Reprodução/vakinha.com.br)Página da vaquinha na internet (Imagem: Reprodução/vakinha.com.br) Página da vaquinha na internet (Imagem: Reprodução/vakinha.com.br)[/caption]
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