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Após atacar Sergio Moro e Deltan Dallagnol em 2023, Olímpio Araújo agora integra agendas e articulações políticas do mesmo grupo que criticava
Cristina EstecheJornalista
2 min de leitura
Deputado Filipe Barros, vereador Olimpio e senador Sergio Moro (Foto: divulgação /PL)
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Em dezembro de 2023, o vereador bolsonarista Olímpio Araújo fazia críticas contundentes a Sergio Moro. Após a sabatina de Flávio Dino no Senado, ironizou a postura do ex-juiz. Afirmou que o senador havia recebido o então indicado ao Supremo Tribunal Federal com “abraços e afagos”. Em um vídeo publicado nas redes sociais, foi ainda mais longe:
Moro quase sentou no colinho de Dino e o chamou de papai.
Na mesma ocasião, Olímpio publicou uma fotografia em que Moro e Dino apareciam abraçados, acompanhada da provocação:
Parabéns para você, paranaense que votou no Sergio Moro.
As críticas também atingiram Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato e aliado político do senador, que recebeu uma resposta ofensiva do vereador após lamentar a aprovação de Dino para o STF.
Pouco mais de dois anos depois, o cenário é completamente diferente. Olímpio passou a acompanhar agendas de Moro e Dallagnol, divulgar fotografias ao lado dos dois e defender o mesmo projeto político que antes atacava. O vereador, que não poupava palavras contra o grupo, agora surge como possível candidato a deputado federal dentro da estrutura liderada pelo senador.
MORO E O BOLSONARISMO
Moro também percorreu o próprio caminho de reaproximação. Depois de romper com Jair Bolsonaro e trocar acusações com integrantes da família do ex-presidente, restabeleceu pontes com o bolsonarismo. E ainda ingressou no PL para construir a candidatura ao Governo do Paraná. A política permite reconciliações e mudanças de posição. No entanto, a sucessão de rupturas e reencontros revela como discursos aparentemente definitivos podem ser flexibilizados diante de novos interesses partidários e eleitorais.
No caso de Olímpio Araújo, permanece uma pergunta inevitável: o que mudou entre os ataques de 2023 e o apoio atual? Houve uma revisão sincera de posicionamento, uma composição partidária? Ou apenas a conveniência de integrar uma chapa eleitoral competitiva? Mudar de opinião é legítimo, mas, quando a mudança sucede ataques pessoais tão duros, cabe ao agente público explicar ao eleitor as razões de uma transformação tão conveniente.
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