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Greca entre Ratinho e Moro: o vice que pode virar o jogo no Paraná
A conversa entre Ratinho Junior e Greca vai além de uma composição eleitoral: pode ser uma tentativa de manter o ex-prefeito por perto e afastá-lo de Moro
Cristina EstecheJornalista
3 min de leitura
Rafael Greca (Foto: Vittor Guimarães/RSN)
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A conversa entre Ratinho Junior e Rafael Greca, como divulgada nesta quinta (30), tem uma leitura para além da tentativa de fortalecer a chapa de Sandro Alex. O movimento talvez seja também uma forma de retirar Greca da condição de alternativa ao atual grupo político. O PSD confirmou Sandro Alex como candidato, mas deixou o vice em aberto, transformando a vaga no principal instrumento de negociação do Palácio Iguaçu.
Conversei com Renato Adur, vice-presidente do MDB no Paraná, que confirmou o encontro e afirmou que as conversas continuam. Na cúpula emedebista, a frase é reveladora: “muitas águas vão rolar até o fim de semana”, como me revelou o presidente municipal, Josiel Lima. Não se trata apenas de suspense. Com a convenção do MDB prevista para domingo, o tempo se tornou parte da negociação. Quanto mais a decisão é adiada, mais valioso fica Greca.
A leitura menos óbvia é que o convite para a vice pode servir para vincular Greca ao destino eleitoral de Sandro Alex. Caso permaneça candidato ao governo, o ex-prefeito preserva uma identidade própria, mesmo numa eventual derrota. Caso aceite ser vice, passa a dividir tanto uma possível vitória quanto o desgaste de um eventual fracasso. O convite, portanto, pode representar menos uma promoção e mais uma tentativa de controlar o futuro político de Greca.
Sergio Moro também conversou com o emedebista e deixou publicamente aberta a possibilidade de entendimento. Esse aceno aumenta o preço político de Greca. No entanto, não significa necessariamente que uma composição esteja próxima. Moro interessa a Greca porque oferece uma saída; Greca interessa a Moro porque pode impedir que o MDB reforce Sandro Alex. Nesse triângulo, cada conversa vale também pelo desconforto que provoca no outro lado.
A FUNÇÃO DE CRISTINA GRAEML NO JOGO
Cristina Graeml cumpre outra função nesse jogo. Mais do que uma concorrente efetiva pela vaga, a presença dela funciona como uma alternativa disponível para Ratinho. Isso porque reduz a capacidade de o MDB impor todas as condições. Ao mesmo tempo, o fato de ela ter sido apontada como praticamente definida, mas não anunciada na convenção, mostra que o nome também pode estar sendo usado como pressão na mesa de negociação.
O que está em disputa, portanto, não é somente quem será vice de Sandro Alex. Ratinho tenta evitar que Greca seja candidato, reforce Moro ou se transforme no principal nome independente do pós-ratinhismo. Greca, por sua vez, precisa decidir se prefere disputar o poder agora ou aceitar uma composição que pode lhe dar espaço, mas retirar a autonomia. Às vezes, na política, o cargo oferecido não serve para elevar uma liderança. Serve para mantê-la perto o suficiente para que ela não cresça sozinha.
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