A greve dos Correios chegou ao fim após 15 dias de paralisação. Em assembleia na noite dessa quinta (24), trabalhadores aprovaram o encerramento do movimento e iniciaram o retorno às atividades a partir das 22h, seguindo determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Porém, a greve na Caixa Econômica Federal continua.
Em relação à greve dos Correios, no julgamento do dissídio coletivo, o tribunal considerou a greve não abusiva, autorizou a compensação dos dias parados e definiu reajuste salarial de 4,09%. Também foram mantidas 73 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho, segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo.
A decisão encerra uma das paralisações que marcaram setembro no setor público. Na Caixa Econômica Federal, entretanto, o cenário continua indefinido. Os empregados da Caixa estão em greve nacional desde 10 de setembro. Em nova votação no dia 21, mais de 90% das bases sindicais rejeitaram a proposta apresentada pelo banco, mantendo a paralisação. O principal ponto de conflito é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários.
A última proposta apresentada pela Caixa prevê reajuste pelo INPC acrescido de 0,6% para salários e outras referências remuneratórias. Segundo o banco, o índice representa reajuste de 4,60% em 2026 para benefícios. A instituição também propôs elevar de 6,5% para 9% da folha o limite de sua participação no custeio do Saúde Caixa a partir de 2027.
Mesmo com a retomada das negociações, não houve acordo. Nessa quinta (24), o TST determinou que pelo menos 60% dos empregados da Caixa permaneçam em atividade em cada agência, presencialmente ou de forma remota. A Caixa havia pedido a manutenção de 80% do efetivo. O descumprimento da decisão pode gerar multa diária de R$ 100 mil por entidade sindical.
O dissídio coletivo da Caixa está previsto para ser julgado pelo TST na próxima terça (29). Até lá, a greve continua, mas com a obrigação de manutenção do efetivo mínimo definido pelo tribunal. O contraste entre os dois movimentos coloca o TST novamente no centro das negociações trabalhistas.
Nos Correios, a intervenção judicial abriu caminho para o retorno ao trabalho. Na Caixa, a Justiça tenta preservar parte do atendimento enquanto banco e empregados permanecem sem consenso sobre o novo acordo coletivo, especialmente sobre o financiamento do plano de saúde.