PROBLEMA ANTIGO
O presidente do sindicato, Rodolpho Botelho, ressalta que a situação não é recente e tem se agravado ao longo do tempo. “Não é algo momentâneo. Já faz anos que discutimos isso com a Copel. Há problemas de manutenção, poucas equipes e dificuldades na conservação da rede. Isso vem piorando.” Segundo ele, um canal direto de comunicação entre o sindicato e a companhia, que existia anteriormente, foi interrompido. Na reunião desta semana, foi acordada a criação de um novo canal, com o sindicato atuando como intermediário para encaminhamento das demandas dos produtores.IMPACTO NA PRODUÇÃO
As falhas no fornecimento afetam diretamente a rotina das propriedades. Ao Portal RSN, o produtor de leite Eduardo Pletz relatou que as quedas interrompem processos essenciais e geram perdas. “Se a energia cai durante a ordenha, é preciso parar. O leite deixa de ser resfriado e pode ser perdido. Além disso, há impacto nos animais e risco de problemas sanitários.” Ele também destaca prejuízos com equipamentos. “Oscilações de energia já causaram danos em painéis e sistemas. Tivemos que investir em gerador para reduzir os impactos. Em alguns casos, a energia demora até 12 horas para retornar.” Conforme Pletz, há uma distância entre a fornecedora e a realidade rural."A Copel precisa participar um pouco mais da realidade do produtor rural e entender o que é ficar sem energia dentro de uma propriedade."
NOVAS MEDIDAS
Durante a reunião, a Copel apresentou ações em andamento. Conforme o gerente executivo da Região Centro-Sul, Rodrigo Marcacine Resende, a companhia pretende lançar, em abril, o programa Copel Agro, com canal de atendimento exclusivo ao produtor rural, disponível 24 horas por dia. A empresa também informou que pretende promover mutirões de manutenção em áreas com maior incidência de falhas e fortalecer o contato com o sindicato para acompanhamento das ocorrências.PRESSÃO POLÍTICA
O tema voltou ao debate na Assembleia Legislativa do Paraná nesta semana. A deputada estadual Cristina Silvestri (PP) cobrou providências e afirmou que os problemas são recorrentes no interior do estado.“Há relatos de danos a equipamentos, prejuízos na produção e quedas frequentes, inclusive sem eventos climáticos. Isso indica falhas na manutenção da rede.”
Durante a sessão, a parlamentar também citou dados do Instituto Paraná Pesquisas. O levantamento aponta que 85% dos municípios do interior estão insatisfeitos com a qualidade do fornecimento de energia. Além disso, 38,7% registraram mais de 20 quedas de luz nos últimos 12 meses. Na maioria dos casos, as interrupções duram mais de cinco horas. Leia outras notícias no Portal RSN.