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Moro lança campanha ao governo, mas parece candidato a cabo eleitoral de Flávio
FALTOU PARANÁ!

Moro lança campanha ao governo, mas parece candidato a cabo eleitoral de Flávio

Fala-se de Lula quando falta proposta, fala-se de Lula quando sobra desconforto, fala-se de Lula quando o Paraná desaparece do debate

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
3 min de leitura

Senador Sergio Moro (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O lançamento da pré-candidatura de Sergio Moro ao Governo do Paraná, com a presença de Flávio Bolsonaro, em Curitiba, teve roteiro previsível de palanque nacionalizado. Em vez de apresentar um projeto consistente para o Estado, Moro preferiu o terreno confortável do antipetismo. Como se a eleição para o Palácio Iguaçu pudesse ser vencida apenas na memória da Lava Jato e na rejeição a Lula. A presença de Paulo Martins reforçou esse tom. O discurso serviu como senha para a militância conservadora: Curitiba, direita, anti-PT, Bolsonaro. Funciona para inflamar convertidos, mas não responde ao agricultor, ao empresário, ao servidor, ao prefeito do interior ou ao cidadão que quer saber como será governado o Paraná. A coletiva limitada foi outro sinal ruim. Quem quer governar não deveria ter medo de pergunta. Moro ao fugir de questionamentos incômodos, mostrou que prefere controlar a cena a enfrentar o contraditório. Para um candidato que construiu a imagem pública em torno da coragem institucional, fugir do improviso jornalístico soa, no mínimo, contraditório. Nas respostas, quando o assunto apertava, o destino era quase sempre o mesmo: Lula. Moro parece ter encontrado no presidente uma saída de emergência retórica. Fala-se de Lula quando falta proposta, fala-se de Lula quando sobra desconforto, fala-se de Lula quando o Paraná desaparece do debate. É justamente nesse vazio que Sandro Alex pode crescer. Diferente de Moro, que tenta transformar o Paraná em anexo da eleição presidencial, Sandro tem a favor a máquina, a experiência administrativa e a possibilidade de se apresentar como continuidade de um governo bem avaliado. Se conseguir encarnar o candidato da entrega, das obras, da gestão e da relação com os municípios, pode sair da condição de coadjuvante e virar o nome mais competitivo do campo governista.

MORO PERDE

A última pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta segunda (1º) com Lula à frente de Flávio Bolsonaro, também pode atingir Moro por tabela. Ao colar a pré-candidatura no filho do ex-presidente, ele herda não apenas um cabo eleitoral, mas também o desgaste e a rejeição da disputa nacional. Nesse cenário, Sandro Alex ganha espaço para falar menos de guerra ideológica e mais de Paraná real. Requião Filho pode crescer pela oposição ao bolsonarismo, Greca pelo eleitor urbano moderado, mas Sandro tem uma vantagem concreta: pode ser o candidato da continuidade com estrutura, capilaridade e discurso de gestão. Moro fez barulho. Sandro pode fazer caminho. Leia outras notícias no Portal RSN.
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