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Moro promete “pé na estrada”, mas os R$ 344 mil de táxi aéreo embarcam junto
Moro promete campanha “pé na estrada”, mas histórico de gastos com viagens e táxi aéreo expõe contradições no novo discurso
Cristina EstecheJornalista
3 min de leitura
Sergio Moro (Foto: Evaristo Sá/AFP)
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Sergio Moro gravou um vídeo nessa quinta (6) em Ponta Grossa criticando a utilização de helicópteros na campanha. Ele disse também como pretende fazer campanha pelo Paraná. A frase de efeito veio pronta: “É pé na estrada. Nada de helicóptero.” O discurso vende estrada, proximidade e austeridade. Só que, quando o próprio candidato transforma transporte em símbolo político, o histórico de viagens também entra na campanha.
Em 2022, durante a pré-campanha, Moro acumulou R$ 344 mil em despesas com táxi aéreo, conforme registros divulgados pela imprensa. Não se trata de um valor abstrato. Parte dessas despesas aparece ligada a deslocamentos específicos pelo Paraná e para São Paulo.
Duas viagens para São Paulo custaram R$ 48 mil e R$ 54,6 mil. Outro deslocamento, registrado para Ourinhos, custou R$ 52,6 mil. A agenda, porém, tinha como objetivo visitar Jacarezinho e outros municípios do Norte Pioneiro. Em Pato Branco, o aluguel da aeronave chegou a R$ 54,3 mil. Já uma agenda em Marechal Cândido Rondon e Toledo custou R$ 71 mil.
Nada disso significa, por si só, ilegalidade. Moro e aliados defenderam a regularidade dos gastos. O ponto é outro. Se ele apenas dissesse que agora prefere viajar de carro, não haveria grande história. Mas escolheu gravar um vídeo e destacar: “nada de helicóptero”. Transformou uma opção logística em argumento de campanha.
HIPOCRISIA POLÍTICA
É aí que a contradição ganha contornos de hipocrisia política. Não porque um candidato tenha usado avião. Isso faz parte da rotina eleitoral. A questão surge quando aquilo que ontem serviu à própria campanha vira hoje símbolo de uma suposta austeridade. O marketing tenta criar uma ruptura que os números não permitem esquecer.
Moro pode rodar milhares de quilômetros pelo Paraná e cumprir a promessa de manter os pés na estrada. Mas algumas bagagens seguem junto. R$ 48 mil para cá, R$ 54,6 mil para lá, R$ 71 mil mais adiante. Talvez seja justamente esse o ponto mais irônico. Moro quis usar “nada de helicóptero” para colocar a campanha com os pés no chão. Acabou fazendo o contrário: lembrou o eleitor de quanto a trajetória política já passou pelo ar. E quando a conveniência eleitoral tenta se apresentar como princípio, a contradição fica perigosamente próxima da hipocrisia.
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