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Moro queria ser o juiz da política, mas virou réu das próprias contradições
QUE BARBARIDADE

Moro queria ser o juiz da política, mas virou réu das próprias contradições

Moro tenta sustentar o discurso anticorrupção, mas derrotas na Justiça e problemas envolvendo aliados colocam em xeque a narrativa 'morista'

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
2 min de leitura

Senador Sergio Moro (Foto: Lula Marques/Carta Capital)

Moro entrou no jogo eleitoral de 2026 carregando a bandeira que construiu a trajetória pública: o combate à corrupção. O problema é que, nos últimos dias, a realidadese mostra menos generosa com o senador. A bola não entra, as jogadas não encaixam e, quando parece encontrar espaço, a própria equipe acaba criando dificuldades. No campo jurídico, Moro e o grupo dele acumulam tropeços. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) rejeitou duas ações apresentadas pelo PL. Miravam publicações do governador Ratinho Junior e do pré-candidato do PSD ao Governo do Estado, Sandro Alex. A Justiça entendeu que não houve irregularidade e manteve as postagens, reforçando que a divulgação de ações políticas e administrativas faz parte da liberdade de expressão. Mas a maior derrota de Moro não está apenas nas decisões judiciais. Está no desgaste da principal marca que o levou à política: o discurso da ética e do combate aos desvios de conduta. O senador, que durante anos se apresentou como símbolo da luta contra a corrupção, agora enfrenta o desconforto de ver integrantes do próprio campo político envolvidos em denúncias e questionamentos justamente na área em que ele construiu reputação.

CONTRADIÇÃO

A contradição é evidente. Moro tenta se colocar como fiscal da política tradicional, mas precisa administrar problemas dentro da própria estrutura partidária. O discurso que servia para apontar falhas nos adversários começa a falhar internamente. A política tem dessas ironias: quem constrói uma carreira em cima da cobrança por coerência passa a ter julgamento pelo mesmo critério. É o velho dilema do “façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço”. A bandeira da moralidade é poderosa quando está apontada para o adversário. Entretanto, perde força quando as explicações precisam ser dadas dentro do próprio grupo. A eleição está chegando e política é feita de percepção. E a percepção neste momento é desconfortável para Moro. Afinal, o candidato que prometia jogar contra os velhos vícios da política agora precisa explicar por que alguns dos problemas que ele denunciava aparecem orbitando no próprio lado. Leia outras notícias no Portal RSN.
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