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Novo conselho político amplia o núcleo de decisão da campanha e reúne lideranças de diferentes siglas, enquanto Sandro Alex desafia para debate
Cristina EstecheJornalista
3 min de leitura
Sergio Moro (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
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A reorganização da campanha de Sergio Moro revela mais do que uma troca de comando. Mostra um candidato tentando construir, dentro do próprio QG, o Paraná político que ainda precisa conhecer melhor nas ruas. A chegada de Luis Felipe Cunha à coordenação-geral e a criação de um conselho ampliado parecem uma resposta a uma deficiência que os adversários já identificaram. Ou seja: Moro é um nome nacional, mas ainda precisa provar intimidade com a geografia política do Estado que pretende administrar.
O curioso é que a solução encontrada foi montar uma espécie de Paraná em miniatura ao redor da mesa. Uma espécie de 'colcha de retalhos'. Pedro Lupion, César Silvestri Filho, Tião Medeiros, Felipe Francischini, Filipe Barros, Deltan Dallagnol e dirigentes de diferentes siglas formam um conselho heterogêneo, de lideranças que passaram, em maior ou menor medida, pelo amplo campo político sustentado por Ratinho Junior. Uma espécie de 'colcha de retalhos'.
Moro, portanto, tenta enfrentar o sistema estadual usando peças que também foram moldadas por ele. É uma contradição interessante: o candidato que busca representar uma alternativa ao grupo que governa o Paraná precisa recorrer justamente a personagens experientes desse mesmo ambiente para ganhar capilaridade, leitura regional e musculatura política.
No centro desse arranjo está Luis Felipe Cunha, primeiro suplente de Moro no Senado e homem de confiança desde 2022. A escolha reforça a fidelidade do núcleo duro. No entanto, cria uma ironia difícil de ignorar. Depois de chamar Sandro Alex de “ilustre desconhecido”, Moro colocou a campanha nas mãos de alguém que também é pouco conhecido fora dos círculos políticos.
CONTENÇÃO DE DANOS
Sandro percebeu a oportunidade e devolveu a provocação. Na sabatina da Jovem Pan, reivindicou a trajetória no Paraná. Ele cobrou Moro para os debates e direcionou o rótulo de “ilustre desconhecido” ao próprio suplente do senador. Mais do que uma troca de farpas, o episódio colocou no centro da eleição uma discussão que interessa ao candidato governista: quem conhece melhor o Paraná real e a engrenagem política?
O conselho também parece funcionar como uma espécie de sistema de contenção de danos. Moro vem acumulando declarações que rapidamente são transformadas em refrão pelos adversários. Cercá-lo de políticos mais experientes pode significar não apenas ampliar alianças. Mas também criar filtros, calibrar discursos e diminuir o espaço para improvisos que custam dias de explicações.
No fundo, Moro está tentando resolver duas carências com uma única reforma: aprender mais sobre o Paraná político e, ao mesmo tempo, proteger a campanha de si mesma. O novo QG pode virar uma coalizão eficiente. Ou apenas uma mesa cheia de tradutores tentando explicar ao candidato um Estado que ele ainda precisa demonstrar conhecer em profundidade.
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