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Amor é quando alguém conhece o nosso avesso e, ainda assim, não transforma isso em arma. É quando a presença não invade, mas sustenta
Cristina EstecheJornalista
2 min de leitura
Ah! O amor (Foto: Orlando Silva /RSN)
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O amor, quando é amor mesmo, não entra pela porta principal carregando flores e fazendo pose para a fotografia. Ele costuma chegar pela cozinha, meio descabelado, perguntando se sobrou café, se já passou a dor de cabeça, se a alma hoje está pesada ou só cansada. O amor tem menos glamour do que dizem as vitrines, mas muito mais força do que imaginam os apressados.
Há amores que não sabem escrever poemas, mas decoram o jeito do outro respirar quando está triste. Há amores que esquecem datas, mas lembram o remédio, a senha do banco, o medo antigo, a ferida que ninguém vê. Tem aqueles amores que não postam declarações, porque estão ocupados demais segurando a vida pela beirada para ela não cair no chão.
Neste Dia dos Namorados, talvez a gente precise desconfiar um pouco das embalagens perfeitas. Amor não é cenário montado, nem legenda ensaiada, nem buquê disputando curtidas. Amor é quando alguém conhece o nosso avesso e, ainda assim, não transforma isso em arma. É quando a presença não invade, mas sustenta. É quando o silêncio não assusta, porque também sabe abraçar.
O amor bonito não é o que elimina a solidão por completo, porque ninguém salva ninguém de tudo. O amor bonito é aquele que acende uma luz no corredor interno da gente e diz: “passa por aqui, eu estou por perto”. Ele não promete dias eternamente azuis. Promete, quando muito, dividir o guarda-chuva quando o céu desabar sem aviso.
Então, que hoje o amor não seja apenas celebrado, mas reconhecido. No prato colocado a mais, na paciência que não virou cobrança, no olhar que ainda procura, na mão que não solta por orgulho. Porque o amor, esse bicho raro e teimoso, não nasceu para caber numa data. Nasceu para atravessar os dias comuns e, mesmo sem alarde, fazer a vida parecer um pouco menos impossível.
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