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Pimentel entra no jogo e pode sangrar a direita em Curitiba
Movimento do prefeito fortalece a chapa do PSD na capital e abre uma disputa direta pelo eleitor conservador de Curitiba
Cristina EstecheJornalista
4 min de leitura
Eduardo Pimentel, prefeito de Curitiba (Foto: divulgação)
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Eduardo Pimentel decidiu entrar de vez na campanha do PSD. Ao reunir secretários, superintendentes e lideranças políticas de Curitiba, após o expediente nesta quinta (20) o prefeito mostra que não quer apenas declarar apoio. Quer organizar voto, criar discurso e transformar a força na capital em ativo eleitoral. O movimento mira Sandro Alex, Rafael Greca e Alexandre Curi. Mas o efeito mais interessante pode surgir em outro campo: na direita.
Curitiba tem eleitor conservador, mas esse eleitor não vive só de rótulo. Ele também vota em gestão, ordem e eficiência. Pimentel sabe disso. Greca sabe disso. E o PSD tenta ocupar esse espaço antes que partidos mais ideológicos façam o mesmo. O prefeito pode oferecer ao eleitor de direita uma opção com discurso de centro, cara de gestão e forte presença local. Esse é o ponto que deve acender o alerta.
REDE POLÍTICA
A força de Pimentel não vem apenas do cargo. Vem da rede política que ele construiu na cidade. Secretários, lideranças de bairro e aliados ampliam a presença nos pontos onde a eleição ganha forma. Essa capilaridade não garante voto, mas cria acesso, discurso e influência. E numa disputa apertada, isso pesa. Principalmente quando o eleitor não vê grande diferença prática entre uma direita mais ideológica e uma candidatura que vende estabilidade e entrega.
Por isso, a entrada de Pimentel pode causar mais dano à direita do que à esquerda. O PSD não precisa converter o eleitor progressista. Basta dividir o voto conservador. Se conseguir vender a chapa como uma direita de gestão, sem radicalismo e com estrutura, o partido pode avançar sobre um território que muitos tratavam como garantido. E esse talvez seja o movimento mais inteligente de Pimentel até agora: não tentar mudar o eleitor de Curitiba, mas convencer esse eleitor de que ele já tem uma opção dentro do PSD.
ALTERA O TABULEIRO
É aí que Eduardo Pimentel pode alterar o tabuleiro. O prefeito carrega o peso institucional da Prefeitura, a continuidade política de Rafael Greca e uma rede de relações construída dentro da administração municipal. Quando esse grupo entra de forma organizada numa eleição estadual, o PSD ganha condições de disputar um eleitor que poderia naturalmente migrar para candidaturas mais explicitamente identificadas com a direita. Não porque Pimentel tenha mudado ideologicamente o eleitor de Curitiba. Mas porque pode oferecer a ele uma alternativa eleitoral com discurso administrativo, conservador nos costumes políticos locais e distante da imagem tradicional da esquerda.
Esse movimento coloca a direita diante de um problema interessante. Durante anos, setores conservadores apostaram que Curitiba seria território praticamente garantido para candidaturas alinhadas nacionalmente ao bolsonarismo ou a partidos mais claramente posicionados nesse espectro. Mas eleições municipais já demonstraram que o eleitor curitibano consegue separar identidade ideológica de preferência administrativa.
FRAGMENTAÇÃO DA DIREITA
Ao apresentar Sandro Alex, Rafael Greca e Alexandre Curi como representantes de uma direita administrativa, moderada e eficiente, Pimentel poderá fragmentar um campo eleitoral que muitos consideravam previamente consolidado. A reunião de hoje, portanto, é muito mais do que encontro de secretariado. É o sinal de que a eleição no Paraná começa a ser disputada dentro do território mais cobiçado por quem pretende liderar a direita no Estado.
EM TEMPO
Uma pesquisa feita pelo Instituto IRG com 800 eleitores em Curitiba, entre os dias 12 e 16 de dezembro, mostra a força de Pimentel. A consulta nos bastidores do Centro Cívico revelou que 31% dos eleitores ouvidos disseram que o apoio do prefeito Eduardo Pimentel na eleição de 2026 aumenta a chance de voto num determinado candidato. A margem de erro é de 3,5%.
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