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Comentários sobre contratos de publicidade do Governo do Paraná e até a exploração de uma festa familiar expõem uma campanha mais reativa, menos propositiva
Cristina EstecheJornalista
3 min de leitura
Publicidade e propaganda (Imagem: Divulgação)
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Ao longo desta semana, alguns comentários de bastidores disseram mais sobre o ambiente eleitoral do que muitas manifestações oficiais. O que chama atenção no entorno de Sergio Moro (PL) não é apenas o tom. Mas, sim, a mudança de comportamento: há menos segurança de quem pretende conduzir a disputa e mais sinais de uma campanha pressionada pelos adversários. Em política, esse deslocamento importa. Quando uma candidatura passa a reagir mais do que propor, começa também a perder o controle da própria agenda.
É nesse contexto que surge o nome do marqueteiro de Moro, Marcelo Cattani. Conforme relatos do blog de Angelo Rigon (Maringá News), ele teria orientado o jornalista Marcos Formigheiri, da Gazeta do Paraná, a fazer comentários sobre contratos de publicidade do Governo do Estado. No entanto, o jornalista se pautou com base em informações apontadas como equivocadas. Se a versão estiver correta, trata-se de um erro estratégico relevante: temas sensíveis, especialmente quando envolvem recursos públicos, exigem documentos, precisão e consistência. Ou seja: não podem ser reduzidos a instrumentos de desgaste eleitoral.
Naturalmente, contratos de publicidade governamental devem ser submetidos ao mais amplo escrutínio. Fiscalizar o uso do dinheiro público é obrigação democrática. Mas há uma diferença fundamental entre o jornalismo que investiga para descobrir um problema e uma estratégia política que parte da necessidade de produzir um problema. Quando essas duas lógicas se confundem, a credibilidade da informação se deteriora e o debate público perde qualidade.
PERDE O RUMO
Outro relato da semana amplia essa percepção de desorientação. Também se atribui ao marqueteiro de Moro a ideia de estimular grupos políticos a produzir vídeos. Imagens exploram uma festa de aniversário da filha de Jorge Gerez, marqueteiro ligado ao campo adversário. Trata-se, novamente, de uma informação veiculada pelo Maringá News. Ainda assim, a própria hipótese de transformar um evento familiar em matéria-prima eleitoral revela uma escolha política pobre. Gerez atua profissionalmente na disputa e está sujeito a críticas. A filha dele, não.
É justamente nesse ponto que a campanha de Moro parece correr o risco de perder o centro. Campanhas competitivas escolhem o terreno em que desejam disputar: apresentam propostas, definem prioridades e obrigam os adversários a responder. Campanhas que perdem direção passam a aceitar qualquer terreno disponível, inclusive aqueles que pouco acrescentam ao debate público. Quando contratos mal explicados, disputas entre marqueteiros e até festas familiares começam a ocupar o espaço das propostas, o problema deixa de ser apenas de comunicação. Passa passa a ser de estratégia.
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