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Quando a fé entra em campo como bandeira eleitoral
A fé, que deveria ser espaço de consciência, acolhimento e liberdade espiritual, muitas vezes passa a ser usada como bandeira eleitoral
Cristina EstecheJornalista
2 min de leitura
Silas Malafaia (Foto: Michel Schincariol /AFP via Getty Images)
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Silas Malafaia é uma das vozes evangélicas mais conhecidas do Brasil. Pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, comunicador forte e presença constante nas redes sociais, ele deixou há muito tempo de falar apenas ao público religioso. O púlpito dele também virou tribuna política.
O apoio de Malafaia a um candidato funciona como uma camisa pesada em dia de decisão. É como o Brasil entrando em campo contra o Japão precisando se manter vivo na Copa: não basta jogar, é preciso convencer a torcida de que ainda há um caminho. Na política, Malafaia ajuda a vender essa ideia de pertencimento, urgência e batalha moral.
Mas a contradição está justamente aí. A fé, que deveria ser espaço de consciência, acolhimento e liberdade espiritual, muitas vezes passa a ser usada como bandeira eleitoral. O voto deixa de ser apresentado como escolha cidadã e passa a ser embalado como missão religiosa.
Malafaia não está sozinho nesse campo. Outras lideranças evangélicas também aprenderam a transformar influência religiosa em força política, seja por meio da televisão, das igrejas, das redes sociais ou da aproximação direta com candidatos. O resultado é uma fronteira cada vez mais borrada entre altar, palanque e urna.
O apoio de um líder como Malafaia não garante vitória, porque o eleitor evangélico é plural e não vota como bloco automático. Mas ele organiza discursos, mobiliza afetos e dá selo moral a determinados projetos. No fim, a grande pergunta é: quando a fé vira estratégia eleitoral, quem está sendo defendido, Deus, o povo ou o poder?
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