Há uma diferença entre discordar e destruir. Entre defender uma ideia e transformar a rejeição ao outro em justificativa para a violência. O episódio envolvendo um jovem suspeito de invadir pela terceira vez o Centro Cultural da Maçonaria de Tubarão, em Santa Catarina, revela uma face preocupante de um fenômeno que cresce em diferentes partes do mundo: a intolerância contra aquilo que não se conhece ou não se aceita.
Conforme informações divulgadas, o suspeito teria afirmado que cometeu a ação porque “odeia a maçonaria”. O resultado mostrou um cenário de destruição: documentos espalhados, livros revirados, armários danificados e parte da estrutura do espaço comprometida. Mais do que um ato de vandalismo, o episódio expõe como o preconceito pode ultrapassar o campo das opiniões e se transformar em ataque contra a história, a memória e o direito de existência de grupos organizados.
A liberdade de pensamento inclui o direito de criticar instituições, religiões, movimentos e ideologias. Uma sociedade democrática não exige concordância, mas exige limites civilizatórios. O problema começa quando a divergência deixa de ser argumento e passa a ser tratada como autorização para eliminar símbolos, espaços ou pessoas associados a uma visão de mundo diferente.
RADICALIZAÇÃO DO DEBATE
Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a uma crescente radicalização dos debates políticos e religiosos. Em muitos casos, o adversário deixou de ser visto como alguém que pensa diferente e passou a ser tratado como uma ameaça a ser combatida. Essa lógica é perigosa porque transforma grupos inteiros em alvos, alimentando teorias, preconceitos e atos de hostilidade.
A maçonaria, assim como outras organizações religiosas, filosóficas ou culturais, pode ser analisada, questionada e até criticada. Mas nenhuma crítica legítima começa com a destruição do patrimônio alheio. Quando a intolerância ocupa o lugar do diálogo, todos perdem, porque o ataque de hoje contra um grupo específico pode amanhã atingir qualquer outro.
O episódio de Tubarão deve ser encarado como um alerta. A democracia não se fortalece quando todos pensam igual; ela se fortalece quando pessoas diferentes conseguem conviver sem transformar suas diferenças em motivo para violência. Leia outraas notícias no Portal RSN.