Hoje, 13 de maio, dia que marca a assinatura da Lei Áurea e a abolição formal da escravatura no Brasil, a metáfora parece inevitável. Enquanto o país relembra uma liberdade prometida no papel, mas nunca plenamente entregue na vida real, a política brasileira também revela os próprios cativeiros.
No caso do filme sobre Bolsonaro, o vazamento divulgado hoje (13) expõe uma tentativa de construir uma narrativa de libertação, heroísmo e redenção. Mas os bastidores contam outra história. Uma produção presa a interesses, cifras milionárias, alianças políticas e suspeitas incômodas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.
É como se a obra quisesse vender uma imagem de liberdade, mas carregasse correntes nos bastidores.
E aí entra a ironia: o filme feito para polir uma trajetória política acabou chamuscado antes mesmo da estreia. Queimou o filme não pela crítica dos adversários, mas pelo peso das próprias revelações.
No dia em que o Brasil lembra que nenhuma história oficial apaga as marcas da exploração, o vazamento mostra que também na política as narrativas fabricadas podem desmoronar quando aparecem os documentos, os áudios e o dinheiro.
Afinal, não há roteiro capaz de libertar uma imagem quando os bastidores continuam acorrentados às contradições. E, nesse caso, antes de chegar às telas, o filme já entrou em cartaz pegando fogo.
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