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Reforma tributária "terá texto único" com "legítimo" protagonismo do Senado, diz relator

Texto da reforma em análise no Senado pretende unificar 10 tributos em apenas dois

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
5 min de leitura
*Reportagem com aúdio/Repórter Cristiano Carlos/Agência Rádio Mais [caption id="attachment_187139" align="aligncenter"]
senador
Senador Roberto Rocha (Foto: Divulgação/Senado)[/caption]
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O relator da reforma tributária na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, Roberto Rocha (PSDB-MA), pretende compilar todos os projetos de modernização do sistema de pagamentos de impostos, em apenas um. “Nós vamos fazer um texto único, com ideias da Câmara, do Senado e do Executivo”. Atualmente, além do texto apoiado por lideranças, outra sugestão de reforma tributária (PEC 45/2019) também está sendo estudada em Comissão Especial da Câmara dos Deputados. No entanto, o senador Roberto Rocha, disse que não abre mão da liderança do Senado na elaboração da reforma tributária. “É legítimo que o senadores sejam os responsáveis pelo texto da proposta de mudança no sistema de arrecadação de impostos do país porque, durante a reforma da Previdência, o protagonismo esteve na Câmara”. De acordo com o texto em análise a ideia é reunir 10 tributos cobrados atualmente em apenas dois: o Imposto Sobre Bens e Serviços, o IBS, e o Imposto Seletivo, o IS. A proposta é baseada em modelo apresentado pelo ex-deputado federal Luiz Carlos Hauly. Assim sendo, a proposta prevê a extinção do IPI, IOF, CSLL, PIS, Pasep, Cofins e Cide Combustíveis, de arrecadação federal. Também serão extintos o ICMS, de competência dos estados; e o ISS, de âmbito municipal. Além do Salário-Educação, repartido entre o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), estados e municípios.

ARRECADAÇÃO E PARTILHAS

Conforme a proposta, as regras de arrecadação e partilha dos novos impostos serão únicas para União, estados, municípios e Distrito Federal. Assim, a IBS incidirá sobre operações de bens e serviços. Além de ter alíquota padrão e cobrança no estado de origem, o valor arrecadado será destinado ao ente de destino do bem ou serviço. Já o IS será um tributo de competência da União. Será cobrado em operações financeiras na área de petróleo e derivados, combustíveis e lubrificantes de qualquer origem. A cobrança também incide sobre gás natural, cigarros, bebidas alcoólicas e não alcoólicas. Inclui-se ainda a energia elétrica, serviços de telecomunicações, veículos automotores novos, terrestres, aquáticos e aéreos. A ideia é que o novo modelo diminua a burocracia e facilite a arrecadação de impostos. De acordo com relator da proposta no Senado, Roberto Rocha,e o modelo atual é antigo, não atende mais as necessidades do país e, segundo ele, causa confusão desnecessária. “Aqui nós temos um manicômio tributário. Nós não temos a menor possibilidade de continuar convivendo com essa situação no mundo digital que nós temos hoje. Por isso, é que o Brasil precisa urgentemente de uma reforma tributária”.

PEC 45/2019

Em julho, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), instituiu comissão especial para analisar a PEC 45/2019, de reforma tributária. O colegiado é presidido pelo deputado Hildo Rocha (MDB-MA) e relatado pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). De acordo com o Senado, a proposta é de autoria do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), desenvolvida pelo economista Bernard Appy, do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF). Conforme o projeto da Câmara, a intenção é acabar com cinco tributos: IPI, PIS e Confins, de arrecadação federal; com o ICMS, dos estados; além do ISS, cobrança municipal. Entretanto, os deputados também pretendem criar o IBS e o IS, em substituição aos impostos extintos. As regras serão semelhantes às previstas no texto do Senado. Ou seja, com arrecadação e partilha únicas para União, estados, municípios e para o DF. Haverá incidência em bens, consumo e produtos considerados de alta periculosidade, como cigarros e bebidas alcoólicas. Para a advogada tributarista Fernanda Sá, o sistema atual de arrecadação de impostos gera muitos prejuízos para a economia do país. De acordo com ela, a simplificação prevista nas duas propostas de reforma tributária, em discussão no Congresso, vai contribuir para a criação de novos negócios no Brasil e tornar o país mais competitivo economicamente.

Hoje o Brasil é o país que mais gasta com compliance, não só em termos de tributação, mas também de obrigações acessórias. A quantidade de informações que o contribuinte tem que dar para diversos entes diferentes, seja Receita Federal, estadual ou municipal e até outros órgãos, é um absurdo. Quando você tem o recolhimento e a centralização de tributação, você acaba tendo só um interlocutor e uma informação para uma única parte. Sob essa ótica, haveria sim uma simplificação e isso faz com que tenhamos um melhor ambiente de negócios.

SERVIÇO

No Senado, a PEC 110/2019 está na CCJ e aguarda produção e entrega de relatório. O texto tramita em regime terminativo e, por isso, se for aprovado no colegiado, seguirá direto para votação no plenário da Casa. Na Câmara, a PEC 45/2019 começa a ser analisada na comissão especial a partir da semana que vem. Isso porque o relator do tema, deputado Aguinaldo Ribeiro, apresentará o plano de trabalho do colegiado. A previsão é de que a proposta deva ser votada na comissão e no plenário da Casa em outubro.