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Tarifaço dos EUA pressiona o dólar e expõe vulnerabilidades da economia brasileira

Tarifaço dos EUA pressiona o dólar e expõe vulnerabilidades da economia brasileira

A alta da moeda americana não é apenas um movimento técnico de câmbio. É, sobretudo, um retrato da insegurança

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
3 min de leitura

Moeda americana (Foto: Arquivo/RSN)

O dólar opera em alta nesta quarta (3), em meio à reação do mercado ao novo tarifaço comercial dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Na última cotação consultada, o dólar comercial estava em R$ 5,049, com alta de 0,79%. Mais cedo, a moeda chegou a ser negociada a R$ 5,053, conforme levantamento do mercado financeiro. A alta da moeda americana não é apenas um movimento técnico de câmbio. É, sobretudo, um retrato da insegurança. Quando os Estados Unidos endurecem a política comercial contra o Brasil, investidores recalculam riscos, empresas refazem projeções e o mercado busca proteção no dólar. O resultado aparece quase imediatamente na tela: real pressionado, bolsa em queda e ambiente econômico mais sensível. O ponto delicado é que tarifa comercial nunca vem sozinha. Ela carrega disputa econômica, recado político e pressão diplomática. O novo movimento norte-americano envolve uma proposta de tarifa adicional sobre produtos brasileiro. E ainda se soma a outra investigação comercial que já havia recomendado uma sobretaxa de 25% sobre importações do Brasil. As medidas ainda passam por consultas e audiências públicas. No entanto, o mercado reage antes da decisão final porque, em economia, expectativa também produz impacto.

RISCO DUPLO

Para o Brasil, o risco é duplo. De um lado, exportadores podem perder competitividade no mercado americano. De outro, a alta do dólar pode chegar ao consumidor por meio de produtos importados, insumos industriais, combustíveis e alimentos com preços influenciados pela moeda americana. Ou seja: uma decisão tomada em Washington pode bater na indústria brasileira e, depois, escorrer até o bolso de quem faz compra no mercado. A crítica que precisa ser feita é que o Brasil não pode tratar esse episódio apenas como oscilação de mercado. Há uma disputa comercial em curso, e ela exige resposta institucional firme, mas inteligente. Nem bravata, nem silêncio. O país precisa defender os setores produtivos, negociar com clareza e evitar que a tensão diplomática vire custo adicional para empresas e consumidores. No fim, a cotação do dólar desta quart funciona como termômetro de algo maior. Mostra que o Brasil segue vulnerável aos humores externos e às decisões de potências econômicas. O tarifaço americano reacende uma pergunta incômoda: até que ponto o país está preparado para proteger a economia quando comércio, política e geopolítica se misturam na mesma conta? Leia outras notícias no Portal RSN.
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