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A guerra dos gráficos
BATALHA DAS PESQUISAS

A guerra dos gráficos

Se você abriu as redes sociais nos últimos dias e sentiu que estava em uma realidade paralela, fique tranquilo: você não está sozinho

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
3 min de leitura

Pesquisa eleitoral (Foto: TSE)

Se você abriu as redes sociais nos últimos dias e sentiu que estava em uma realidade paralela, fique tranquilo: você não está sozinho. O fenômeno que tomou conta das conversas políticas esta semana, em especial com os números trazidos pelo Instituto Opinião, e o confronto com outros levantamentos, é o que chamamos de "Guerra das Pesquisas". O que deveria ser uma ferramenta de diagnóstico virou, na mão dos marqueteiros, uma arma de confusão em massa. No cenário eleitoral atual, as pesquisas deixaram de ser apenas um "termômetro" do momento para se tornarem peças de ficção publicitária. A estratégia é clara: surge um levantamento e, em minutos, já se produzem releases com o "recorte conveniente". O candidato que aparece na frente foca na vontade do povo. O que está em segundo destaca a queda na rejeição. Aquele que está lá embaixo ignora o cenário geral e publica apenas o recorte de um bairro específico ou de uma faixa etária onde ele respira melhor. Ou ainda contrapõe com outra dizendo que está em crescimento. O resultado dessa "ginástica estatística" é um eleitor zonzo. Quando cada lado apresenta uma "verdade" baseada em números diferentes, a credibilidade da ciência estatística é a primeira a ser sacrificada. O que temos visto a cada ano de eleição é o exemplo perfeito dessa "Torre de Babel". Institutos diferentes apresentando cenários que não se cruzam. Enquanto um aponta estabilidade, outro traz curvas de crescimento que mudam o jogo psicológico da cidade, do Estado, do País.

FACES DOS VOTOS

Essa divergência nem sempre é erro técnico. Pode ser o período de coleta, a metodologia (presencial ou por telefone) ou até a forma como a pergunta é feita. Mas para o marqueteiro, nada disso importa. O objetivo não é informar, é criar o famoso 'momentum'. Sabe, aquele clima de "já ganhou" ou de "virada histórica" que serve para animar a militância e atrair apoios financeiros. Mas a ciência política explica que esse bombardeio não é à toa. Ele busca dois efeitos principais. De um lado, o chamado voto útil, ou Efeito Bandwagon, que tenta convencer o eleitor a migrar para quem está na frente para "não perder o voto". Outro, o voto de veto, que é usar a pesquisa para dizer que "apenas o candidato X pode vencer o candidato Y", forçando o eleitor a abandonar a preferência real por medo. Vivenciamos essa situação num passado muoto recente. O grande risco dessa "guerra" é a desconfiança generalizada. O cidadão, sem saber em quem acreditar, acaba tratando toda pesquisa como "comprada". O conselho para sobreviver a essa onda de gráficos conflitantes é um só: não olhe o print do WhatsApp, olhe a fonte. Entenda que a pesquisa é uma fotografia de ontem, enquanto o voto é uma decisão de amanhã. A verdadeira pesquisa, sem recorte de marqueteiro e sem manipulação de gráfico, continua sendo aquela que ocorre no silêncio da cabine de votação. Leia outras notícias no Portal RSN.
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