A disputa judicial envolvendo Deltan Dallagnol deixou de ser apenas uma questão sobre a candidatura dele ao Senado e começou a produzir efeitos sobre aliados e candidatos que associaram as campanhas ao nome do ex-procurador. Com a suspensão dos atos de campanha determinada pela Justiça Eleitoral, Deltan está impedido, neste momento, de desenvolver atividades de campanha e pedir votos, embora o registro de candidatura permaneça válido.
Nos últimos dias, em Guarapuava, candidatos como Fábio Oliveira e Professor Saulo, ambos do Novo, se manifestaram nas redes sociais depois de receberem informações da Justiça Eleitoral para retirarem materiais de campanha que faziam referência ao nome de Deltan.
O episódio mostra como uma decisão envolvendo uma candidatura ao Senado pode atingir diretamente candidatos a outros cargos, obrigando-os a rever peças publicitárias e estratégias que já estavam em circulação.Isso porque no entendimento do TRE, segundo a decisão, ultrapassava o apoio político e configuravam uma espécie de campanha substitutiva.
Politicamente, a insistência de Deltan em manter a candidatura e recorrer das decisões é legítima. Mas quanto mais tempo a situação permanecer indefinida, maior tende a ser o impacto sobre quem decidiu associar a imagem à dele. Para candidatos proporcionais, que precisam concentrar esforços na própria votação, ter de retirar materiais e reformular estratégias no meio da campanha representa um desafio adicional.
O caso, portanto, já ultrapassou a esfera individual. A questão não é mais apenas o futuro eleitoral de Deltan, mas até que ponto a batalha judicial de uma candidatura pode afetar todo um grupo político. O que acontece em Guarapuava é um exemplo concreto de como uma decisão envolvendo o candidato ao Senado começa a provocar consequências sobre outras campanhas e sobre a estratégia eleitoral do partido no Paraná.