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Ampliação do aeroporto também exige união política
Nova rodada de articulações em Guarapuava, nesta sexta (6) reunindo empresários e lideranças, é mais do que agenda
Cristina EstecheJornalista
4 min de leitura
Aeroporto de Guarapuava ((Foto: Portal RSN)
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A ampliação do aeroporto de Guarapuava entrou naquela fase em que a cidade percebe que infraestrutura não é só obra. Trata-se de decisão, articulação e, principalmente, maturidade política. Quando o tema é estratégico, o que define o avanço não é a força de um nome, mas a capacidade de alinhar interesses sem transformar o projeto em troféu.
Nesse ponto, é preciso encarar o óbvio. O governo do Estado é peça central, mas não é o único motor. Aeroporto depende de uma engrenagem que precisa girar inteira. No caso, prefeito, deputados, setor empresarial, entidades e o trabalho técnico que dá sustentação jurídica e operacional ao processo. Quando um desses elos falha, o resultado é previsível: atraso, ruído e desgaste público.
[caption id="attachment_328824" align="alignnone"]Sandro Alex em reunião co comitiva de Guarapuava (Foto: Secom/Prefeitura de Guarapuava)Sandro Alex em reunião co comitiva de Guarapuava (Foto: Secom/Prefeitura de Guarapuava) Sandro Alex em reunião co comitiva de Guarapuava (Foto: Secom/Prefeitura de Guarapuava)[/caption]
A reunião em Curitiba, nesta semana, com o secretário Sandro Alex, teve impasses que ficaram “entre quatro paredes”. Esse detalhe diz muito. Quando um tema público vira conversa privada, geralmente é porque há disputa de comando, receio de exposição ou conflito de interesse. E aeroporto, por definição, não combina com bastidor: é infraestrutura, é economia, é emprego, é logística, é vida real. Se a cidade precisa voar, a condução precisa sair do sussurro e entrar no método.
Por isso o encontro desta sexta (6) em Guarapuava, reunindo empresários e lideranças, é mais do que agenda. É uma tentativa de “aterrar” a política no concreto. E aqui entra um ponto que precisa ser dito sem rodeios: o que trava Guarapuava não é só técnica. É vaidade, disputa de paternidade e o velho jogo de “quem manda” na narrativa. Só que aeroporto não se amplia com ego. Se amplia com projeto, regularização, cronograma e dinheiro.
TERRENO MINADO
E há um elemento ainda mais sensível: o problema que transita na seara judicial e que, ao que tudo indica, pegou um dos envolvidos de surpresa. Esse é o tipo de nó que pode atrasar meses ou anos se não for tratado com seriedade e transparência. A reunião prevista na prefeitura na próxima semana pode ser o ponto de virada. No entanto, desde que tenha uma premissa clara: segurança jurídica não é detalhe burocrático; é o que impede que a obra vire manchete de embargo.
DEVER PÚBLICO
Nesse cenário, os três deputados estaduais de Guarapuava têm, sim, parcelas de responsabilidade. E não no sentido de culpa, mas de dever público. Cristina Silvestri contribuiu com recursos para pavimentação e outras obras já executadas. Artagão Junior atua com inserções junto ao governo. Fábio Oliveira se movimenta na articulação com empresários e com o governador. Isso não é competição; é divisão de tarefas. O erro é quando alguém tenta atravessar o campo do outro para carimbar “eu fiz”, como se política fosse um outdoor.
A cidade não precisa de um herói. Precisa de uma soma de forças sem exclusão. Precisa que cada um use o poder que recebeu do povo para cumprir o que lhe compete, e que pare de medir o tamanho da contribuição alheia para inflar a própria.
No fim, a régua do sucesso é simples e implacável: os voos vão voltar? O aeroporto vai operar com estrutura compatível? Os proprietários envolvidos não serão esmagados por uma solução injusta? O município terá uma saída técnica e jurídica limpa?
Guarapuava precisa voar e, para isso, a política precisa parar de disputar manchete e começar a entregar pista.
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