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Cesta básica sobe pelo quarto mês seguido em Guarapuava e chega a R$ 787,68
O reajuste salarial dado no início do ano, de R$ 1.518,00 para R$ 1.621,00, já perdeu boa parte do efeito, aponta levantamento do Nepe
Thiago de OliveiraJornalista
3 min de leitura
Item que mais subiu foi o tomate (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
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O custo médio da cesta básica em Guarapuava chegou a R$ 787,68 em maio, alta de 2,49% em relação a abril, quando o conjunto de alimentos custava R$ 768,55. É o quarto mês consecutivo de aumento, conforme levantamento do Núcleo de Estudos e Práticas Econômicas (Nepe), do Departamento de Ciências Econômicas (Decon) da Unicentro.
Desde janeiro, quando a cesta custava R$ 718,35, o valor acumulou alta de 9,64%. Quase R$ 70 a mais no carrinho em cinco meses.
Quem recebe um salário mínimo precisa dedicar 48,59% da renda. Ou seja, 106,90 horas de trabalho para pagar apenas a alimentação básica. Em janeiro, esse percentual estava em 44,32%. O reajuste dado no início do ano, de R$ 1.518,00 para R$ 1.621,00, já perdeu boa parte do efeito.
MAIS CARO TOMATE QUASE 50% MAIS CARO
O destaque negativo de maio foi o tomate, que disparou 46,13% em um único mês. Chuvas intensas, geadas e calor excessivo prejudicaram as lavouras e favoreceram pragas e doenças. O período de transição entre a safra de verão e a colheita de inverno gerou gargalos na oferta e impulsionou a alta. Também subiram:
Batata: +6,41%
Farinha de trigo: +5,21%
Pão francês: +3,75%
Arroz: +2,62%
Óleo de soja: +1,02%
Ao todo, seis dos 13 itens da cesta ficaram mais caros em maio — o que o estudo chama de Índice de Difusão de 46%. As altas foram proporcionalmente maiores do que as quedas, resultando no encarecimento final da cesta.
QUEDAS NÃO SEGURARAM O AVANÇO
Alguns produtos aliviaram o bolso, mas sem força para compensar:
Café: −5,07%
Açúcar: −4,82%
Banana: −4,22%
Feijão: −4,12%
Manteiga: −3,25%
No caso do café, depois de preços elevados em 2025, o produto vem registrando pequenas reduções mês a mês em 2026, por conta de maior oferta e queda na demanda.
Variação mensal (Fonte: Decon)Variação mensal (Fonte: Decon)
IMPACTO MAIOR EM QUEM GANHA MENOS
Para trabalhadores com renda de até três salários mínimos, a cesta compromete em média quase 30% do salário, chegando a 48,59% para quem recebe o piso nacional. Para cobrir alimentação e outras despesas essenciais — moradia, transporte, saúde e educação —, o salário mínimo necessário em Guarapuava foi estimado em R$ 5.592,37.
A variação de preços também depende de onde se compra. Em maio, o valor total da cesta oscilou entre R$ 423,80 nos estabelecimentos com produtos de menor preço e R$ 1.135,26 nos mais caros, com média de R$ 787,68. O Nepe destaca a pesquisa de preços como estratégia para reduzir o impacto no orçamento.
GUARAPUAVA ENTRE AS MAIS CARAS DO PAÍS
Se comparada a capitais pesquisadas pelo Dieese, Guarapuava ocuparia a 13ª posição entre as cidades com cesta mais cara do país em maio, com R$ 787,68. Acima de Palmas (R$ 767,16), Belém (R$ 755,24) e de todas as capitais do Norte e Nordeste. À frente estão São Paulo (R$ 952,20), Cuiabá (R$ 925,49) e Rio de Janeiro (R$ 914,48).
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