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Debandada do PP redesenha forças no tabuleiro eleitoral do PR
A saída de prefeitos e parlamentares do Progressistas revela o esgotamento de um projeto político após federação com União Brasil
Cristina EstecheJornalista
3 min de leitura
Deputado Pedro Lupion (Foto: divulgação)
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O Progressistas (PP) do Paraná atravessa uma crise de identidade e articulação política que ameaça desidratar por completo a força histórica no estado. Dos 61 prefeitos eleitos em 2020 sob a legenda, 18 já oficializaram a saída e outros 12 devem deixar o partido até março de 2026. Trata-se, portanto, de um sinal claro de enfraquecimento organizacional e perda de protagonismo.
A debandada não acontece por acaso. Há um rearranjo político silencioso, mas profundo, nos bastidores do estado. E com implicações diretas na sucessão estadual e nas articulações para 2026. No centro desse movimento está a tentativa de esvaziar a possível candidatura ao governo do senador Sergio Moro (União Brasil). O ex-juiz enfrenta resistências tanto entre prefeitos quanto entre parlamentares estaduais.
Se antes o PP era um espaço estratégico para articulações locais e regionais, hoje tornou-se um partido em espera, pressionado por federações ainda indefinidas e pela migração de quadros relevantes. A bancada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que já foi representativa, deve cair para apenas três ou quatro deputados. Na Câmara Federal, a situação não é diferente. O partido pode terminar o ciclo com apenas dois a quatro representantes. A saída de Pedro Lupion, segundo mais votado em 2022 e hoje no Republicanos, é emblemática. Entendo que seja um aviso de que o PP perdeu atratividade mesmo entre os quadros mais consolidados.
GUARAPUAVA NO CENTRO DO REORDENAMENTO POLÍTICO
Nesse cenário, Guarapuava ganha um papel estratégico. A cidade, que tradicionalmente tem importância eleitoral no centro-sul do estado, pode ser palco de um embate entre dois nomes de peso oriundos do PP: a deputada estadual Cristina Silvestri, que mira uma cadeira na Câmara Federal, e o ex-prefeito Cesar Silvestri Filho, que articula candidatura a deputado estadual. Ou, quem sabe, algo maior.
Cristina Silvestri, com forte atuação na pauta das mulheres e histórico consolidado na Assembleia, tem estrutura e base eleitoral para pleitear voos mais altos. Já Cesar Filho carrega o capital político da gestão municipal e mantém diálogo com diversas correntes, podendo se reposicionar estrategicamente fora do PP, caso o partido não ofereça o respaldo necessário.
O ponto-chave está justamente aí: a permanência ou não dessas lideranças no Progressistas dependerá do desfecho da federação com o União Brasil e da clareza do projeto nacional e estadual que o partido apresentar. A indefinição pode custar caro ao PP, especialmente em regiões como o centro-sul, onde as lideranças locais buscam estabilidade partidária para garantir reeleições ou novos projetos.
FRAGMENTAÇÃO OU RECONFIGURAÇÃO?
Caso a federação com o União Brasil se concretize, o Progressistas poderá virar coadjuvante em uma estrutura maior, com pouco espaço para lideranças médias. A consequência será a migração em massa de deputados e prefeitos, já em curso, em busca de partidos que ofereçam estrutura, fundo eleitoral e possibilidade real de candidatura competitiva.
Por outro lado, caso o PP consiga se reorganizar internamente e oferecer um projeto claro de poder, poderá sobreviver à tempestade, mesmo que com menor representatividade. O que está em jogo, portanto, não é apenas a sobrevivência do partido, mas a redefinição de alianças e projetos para o Paraná de 2026. E nomes como Cristina Silvestri e Cesar Filho serão peças importantes no tabuleiro.
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