Há ceias fartas com poucos lugares e mesas vazias com muitos. Prometem-se reformas para janeiro. Mas o povo sabe: o que não foi feito até agora, dificilmente será.
Mesmo assim, dezembro tem seu encanto. Não por ser justo, mas por nos lembrar que o ano acaba, sim. E com ele, quem sabe, algumas farsas, algumas máscaras, alguns mandatos.
A esperança, essa teimosa, se pendura nas guirlandas como se dissesse: “talvez no próximo, talvez no próximo”.
ENTÃO!
Dezembro é o ensaio do recomeço. É quando o Brasil se olha no espelho, cansado, e tenta acreditar que ainda dá tempo. Que podemos virar a página, ou ao menos escrever nas margens. E talvez dê mesmo. Porque o povo tem memória, tem voto, tem poesia. E tem dezembro, esse mês que não perdoa, mas inspira.
Mas vejo algo de bonito nessa tentativa coletiva de esperança. Afinal, dezembro tem cheiro de memória, gosto de coisa que não volta e um certo ar de improviso. O país, cansado, se senta na varanda da história tentando parecer em paz; e por alguns dias, consegue. Porque o brasileiro é mestre em sorrir com os olhos marejados.
Ainda assim, dezembro tem esse dom: nos empurra para frente. Nos faz fechar os olhos no dia 31 e pensar: “quem sabe agora”. É o mês da pausa e da promessa. O mês do talvez no próximo. Bora, vamos correr que estamos ainda nos primeiros dias. Vamos ter pressa, quem sabe ainda dá tempo.Leia outras notícias no Portal RSN.
