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É só impressão ou o ano esqueceu de engatar a primeira?
Hoje é 20 de janeiro de 2026 e a sensação é de que ainda estamos desfazendo o nó do laço do último presente de Natal
Cristina EstecheJornalista
2 min de leitura
(Imagem: Freepik)
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Dizem que o calendário é uma convenção matemática, mas qualquer brasileiro sabe que o tempo é, na verdade, um estado de espírito. Hoje é 20 de janeiro de 2026 e a sensação é de que ainda estamos desfazendo o nó do laço do último presente de Natal. É impressão minha, ou o ano resolveu caminhar com o freio de mão puxado?
O horizonte de 2026 é uma cordilheira de gigantes. Temos uma Copa do Mundo batendo à porta, com toda aquela ansiedade verde e amarela que paralisa o país. Temos Eleições, aquele período em que o ar fica mais denso, as conversas mais cautelosas e o futuro parece um jogo de xadrez em que ninguém quer mover a primeira peça. É um ano de decisões, de gritos de gol e de votos na urna. Mas, por enquanto, o que temos é o silêncio.
Estamos em uma espécie de letargia coletiva. É como se o país estivesse parado na beira do campo, esperando o apito inicial que nunca soa. Olhamos para o calendário e vemos as datas marcadas em vermelho, as promessas de grandes emoções. Mas o cotidiano insiste em nos entregar uma terça morna, com cheiro de asfalto quente e notícias de influenciadores presos por furtar tijolos em cidades do interior. É o épico que não chega, soterrado pelo banal que não passa.
Talvez seja o peso da expectativa. Quando sabemos que o ano reserva tempestades e celebrações, o janeiro de sol a pino vira uma sala de espera de consultório médico. A revista é velha, o café é frio e o relógio da parede parece ter as engrenagens banhadas em melado.
Essa lentidão, porém, é traiçoeira. A história ensina que esses anos "letárgicos" costumam cobrar o tempo perdido de uma vez só. Em breve, a Copa vai atropelar o trabalho, a campanha eleitoral vai invadir o jantar em família, e sentiremos saudades dessa paz estranha de janeiro.
Por ora, seguimos assim: bocejando diante de um 2026 que promete o mundo. Mas que, por enquanto, parece ter preguiça até de levantar da rede. O ano ainda não começou; ele está apenas tomando coragem.
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