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A postura do deputado Requião Filho é um dos movimentos mais ousados e, ironicamente, pragmáticos do xadrez político paranaense atual
Cristina EstecheJornalista
4 min de leitura
Requião Filho (Foto: Eduardo Matysiak)
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A postura do deputado estadual Requião Filho (PDT) é um dos movimentos mais ousados e, ironicamente, pragmáticos do xadrez político paranaense atual. A ousadia dele se manifesta em duas frentes interligadas: a construção da chamada 'Geringonça' e o convite direto a um nome de alto calibre do MDB, Álvaro Dias.
A primeira camada de ousadia está em montar a 'Geringonça', uma aliança que une o espectro da esquerda (PDT, PT, Psol, etc.). Na política brasileira, marcada por polarizações rígidas, essa união já é um desafio. No entanto, o ato de Requião Filho transcende a mera união de partidos de oposição. Entendo que ele busca criar uma frente ampla de combate ao bloco governista, deixando de lado o debate puramente ideológico em prol da capacidade eleitoral.
Ele demonstra a percepção tática de que, para vencer um grupo de poder consolidado como o de Ratinho Junior/PSD, a oposição precisa de uma plataforma que unifique a insatisfação. Independentemente de ser de esquerda ou de direita. Ele desloca o foco para questões locais, como privatizações e oposição à gestão estadual.
AMPLITUDE ELEITORAL
Outro ponto é que o deputado sinaliza para a militância de esquerda que, neste momento, o objetivo primário é o acesso ao poder para implementar mudanças. E isso requer a absorção de votos fora do campo tradicional. É o sacrifício da 'pureza ideológica' em nome da 'amplitude eleitoral'.
No entanto, o segundo e mais explosivo ato de ousadia é o desejo público para que um nome do MDB, e especificamente Álvaro Dias, integre a chapa como vice. Alvaro Dias retornou ao MDB na noite dessa segunda (17).
DESESTABILIZAR O BLOCO GOVERNISTA
Ao buscar um vice no MDB, partido que é peça-chave na base de Ratinho Junior, Requião Filho faz uma manobra de desestabilização de alto impacto. Vamos aos fatos:
Chantagem Tática: ele utiliza a figura de Dias como uma arma externa para forçar uma divisão interna no bloco do governador. O MDB, por sua vez, deve reivindicar mais espaço de poder na chapa governista, exigindo a vaga de vice ou Senador Federal. Álavro Dias pode ser um desses nomes.
Aceleração da Crise: O convite público força o MDB a tomar uma decisão estratégica de forma acelerada, intensificando a 'guerra de nervos' com o PSD. A base do governo é forçada a gastar energia para garantir que Dias não aceite a proposta, em vez de se concentrar em sua própria estratégia eleitoral.
Neutralizar e Absorver o Centro: A escolha de Álvaro Dias não é aleatória. Ela representa a admissão mais corajosa e pragmática do xadrez. Isso porque, ele tem um forte apelo ao eleitorado de centro e de direita moderada, com histórico anticorrupção e liberal-conservador. A 'Geringonça' de esquerda, por si só, não atrai esse público. Com Dias como vice, a chapa se torna uma frente centro-ampla, capaz de competir com o PSD.
OUSADIA
A jogada é ainda mais ousada, entretanto, se lembrarmos que Requião e Dias têm um histórico de rivalidade política no Paraná. O fato de Requião Filho buscar ativamente a união com esse antigo 'rival familiar' em nome de um projeto maior demonstra uma maturidade política focada estritamente no poder eleitoral.
Ou seja: a estratégia de Requião Filho demonstra uma liderança política que prioriza o pragmatismo sobre a ideologia rígida. Ao montar a 'Geringonça' e, em seguida, mirar em um vice do MDB de alto valor como Álvaro Dias, ele não apenas monta uma chapa com potencial competitivo, mas principalmente joga a pressão sobre o adversário, assumindo o papel de agente desestabilizador no cenário pré-eleitoral do Paraná.
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