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Por causa de Moro, deputados quase levam confusão ao limite na Alep
Bate-boca entre Arilson Chiorato e Tito Barrichello escancarou o esvaziamento do debate político e transformou a Assembleia em palco de confronto ideológico
Cristina EstecheJornalista
3 min de leitura
Deputado Tito (Foto: reprodução /redes sociais)
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A sessão da Assembleia Legislativa do Paraná, nessa terça (14), foi mais uma dessas cenas que ajudam a explicar por que a política anda tão desacreditada. Os deputados Arilson Chiorato (PT) e Tito Barrichello (PL) protagonizaram um bate-boca que quase terminou em agressão física. Tudo depois de uma fala de Arilson que citava o senador Sérgio Moro em plenário. Conforme relatos que 'pipocaram em redes sociais, publicados após a sessão, Barrichello reagiu acusando o petista de agir de forma “trapaceira”. Dali em diante o que se viu foi gritaria, avanço de um contra o outro e a necessidade de contenção por parte de outros parlamentares.
O episódio é revelador por um motivo simples: no Paraná, o nome de Moro já não funciona como argumento político, mas como gatilho emocional. Basta alguém criticá-lo para parte da direita entrar em modo de confronto. Como se qualquer discordância fosse uma afronta pessoal ou uma heresia ideológica. Isso diz muito menos sobre o conteúdo da crítica e muito mais sobre a fragilidade de quem já não consegue sustentar o debate no campo das ideias.
Também chama atenção a pobreza institucional da cena. A Assembleia, que deveria ser espaço de embate firme, mas civilizado, virou palco de demonstração de testosterona política. Em vez de argumento, dedo em riste. No lugar de resposta, intimidação. Em vez de parlamento, quase um reality show de baixíssimo nível. O problema não é a divergência. Afinal, a divergência é a essência da democracia. O problema é transformar o plenário em arena para performance de militância.
PONTO FRACO
Arilson, claro, sabia que tocar em Moro num ambiente já inflamado produziria reação. Mas provocar politicamente um adversário faz parte do jogo parlamentar. O que não faz parte, e não pode ser normalizado, é a incapacidade de ouvir crítica sem que o debate descambe para o quase confronto físico. Quando isso acontece, a mensagem que sai da Casa não é de força; é de imaturidade.
No fim, a cena expôs uma verdade desconfortável: há setores da política paranaense que ainda tratam Sérgio Moro não como figura pública sujeita a contestação, mas como um símbolo sagrado de bolha. E toda vez que a política passa a funcionar na lógica do culto, a consequência é essa. Menos razão, mais ruído; menos instituição, mais espetáculo; menos República, mais torcida organizada.
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