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O Paraná entrou num marasmo que engana. O Carnaval dá a aparência de pausa, mas o que existe é contenção: menos barulho, mais costura. A política está em “modo silencioso”, e por isso mesmo mais perigosa. Estamos vivenciando uma 'guerra fria eleitoral': cordialidade na superfície e disputa dura no subsolo.
No centro do tabuleiro, Sergio Moro, como todos sabem, é candidatíssimo ao Governo. A força dele não está só na intenção, mas na viabilidade. Afinal, é um nome que puxa o jogo para si e obriga os partidos a se posicionarem. É aí que o PP, comandado no Paraná por Ricardo Barros (presidente estadual e tesoureiro nacional), vira o eixo da disputa. A estratégia é barrar a candidatura "Morista', preservar unidade da bancada e manter o Partido forte. A realidade é que o partido precisa escolher entre duas ambições que nem sempre convivem: controlar a candidatura ou garantir protagonismo no projeto vencedor. Por ora, o momento é de embaralhar as cartas. Afinal, a ninguém interessa se indispor com o Governo. E Barros é secretário de Estado.
SE CORRER O BICHO PEGA....
Se Moro ficar no PP após a janela de abril, a lógica empurra para um acordo. Romper com um candidato competitivo tem custo alto para base municipal, estrutura e bancada. Mas apoio não significa submissão: significa pacto com condições, sobretudo na arquitetura da chapa e na distribuição de poder.
Se Moro sair do PP e concorrer por outra sigla, o cenário “improvável” pode ser o mais racional: o PP ainda assim apoiar Moro. Com pouco tempo para montar um nome majoritário realmente competitivo, insistir numa candidatura própria pode ser apostar na irrelevância. Nesse caso, o apoio vira moeda, e caro. Barros teria força para exigir contrapartidas pesadas, e a vice entra como instrumento natural: a presidência da Alep para a deputada Maria Victória (filha) ou a vaga de vice para Cida Borghetti (esposa), supostamente, são exemplos evidentes desse tipo de negociação.
Em qualquer caminho, a conclusão é a mesma: a eleição passa pelo PP. Dentro ou fora da chapa, o partido tem capilaridade, palanque e poder de organizar (ou desorganizar) a governabilidade. Não precisa liderar para decidir; basta ser a peça que falta.
A FORÇA DE CURI
Do lado capaz de enfrentar Moro com densidade real, hoje, o nome mais consolidado é Alexandre Curi. Ele soma base territorial, comando institucional e um desenho político que já não depende automaticamente do governador Ratinho Junior. E o “pulo do gato” seria Rafael Greca como vice: Greca agregaria peso urbano e simbólico (Curitiba), ampliaria diálogo com o centro e daria à chapa um perfil mais executivo e competitivo.
O marasmo, portanto, é só de calendário. Quando o Carnaval acabar, e quando as ausências e viagens terminarem, começa a fase em que não dá mais para ensaiar: janela partidária, alianças, vice, palanques. A guerra fria vira decisão. O Paraná, por fora, parece parado. Por dentro, está escolhendo o próximo eixo de poder. E, gostem ou não de Moro, de Barros, de Curi ou de Greca, há um diagnóstico que se impõe: quem subestimar o PP, ou quem achar que ele ficará sem papel decisivo, não está lendo o tabuleiro; está lendo o panfleto.
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