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R$ 50 mil. É quanto Bolsonaro deve pagar por ofensa a quilombolas

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
3 min de leitura

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Do site da Veja

Rio de Janeiro - O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi condenado, nesta terça (03), a pagar uma indenização no valor de R$ 50 mil por causa de declarações polêmicas feitas em palestra no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, no último dia 3 de abril. A decisão de primeira instância foi tomada pela juíza Frana Elizabeth Mendes, 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro.

A ação contra Bolsonaro foi movida pelo Ministério Público Federal no Estado, que pedia, inicialmente, um ressarcimento de R$ 300 mil pelo deputado. Apesar de concordar com a argumentação do MPF, que apontou frases ditas pelo parlamentar como causadoras de danos morais contra a população quilombola, a juíza acabou reduzindo o valor.

A magistrada também determinou que a quantia seja repassada ao Fundo Federal de Defesa dos Direitos Difusos (FDD) que acumula verbas de multas pagas por danos coletivos e é gerenciado por um conselho que determina a melhor forma de devolvê-las para a sociedade.

Em um momento da palestra, Bolsonaro ironizou uma visita a um quilombo, afirmando “que afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”. “Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de 1 bilhão de reais por ano é gasto com eles”, para o riso dos presentes no clube. Na avaliação da juíza, o parlamentar “não expôs simplesmente que discorda da política pública que prevê gastos com o aludido grupo, mas inegavelmente proferiu palavras ofensivas e desrespeitosas, passíveis de causar danos morais coletivos”.

Em sua defesa, Jair Bolsonaro ressaltou que possui imunidade por exercer mandato de deputado federal e afirmou que se tratava apenas de uma brincadeira. A magistrada reconheceu a posição do parlamentar, mas afirmou que o direito à livre expressão “embora assegurado constitucionalmente, não é absoluto, encontrando limites éticos, morais e sociais de respeito ao próximo e à coletividade”.

Procurado, o deputado Jair Bolsonaro ainda não foi encontrado para comentar a decisão da Justiça.