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Ratinho Jr recua do Planalto para não perder o controle do Paraná
Com alta aprovação, governador surpreendeu, mas bastidores apontam que tensão na sucessão estadual e avanço de adversários pesaram na decisão
Cristina EstecheJornalista
3 min de leitura
Ratinho Junior (Foto: Jonathan Campos/AEN)
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A desistência de Ratinho Junior da disputa presidencial pegou o meio político de surpresa nesta segunda (23). Ou, na expressão de um deputado ouvido pelo Blog da Cristina Esteche, deixou “todos de calça curta”. E não foi por falta de força. O governador chega a esse recuo com 85,5% de aprovação no Paraná e, até horas antes do anúncio, seguia no radar do PSD como um dos nomes da legenda para o Planalto. A decisão de concluir o mandato foi comunicada a Gilberto Kassab nesta segunda, depois de conversas com a família.
Na versão oficial, prevalece o discurso da responsabilidade. Ratinho Junior diz que preferiu honrar o compromisso com os paranaenses e terminar o governo. Politicamente, porém, a história parece menos romântica e mais pragmática. O que pesou não foi apenas Brasília. Pesou, sobretudo, Curitiba.
INDEFINIÇÃO ESTADUAL
Os bastidores mostram que a grande aflição de Ratinho estava na sucessão estadual. Antes mesmo de bater o martelo sobre a Presidência, ele já vinha priorizando a escolha de um nome para 2026 no Paraná. O problema é que esse nome não saiu. E esse não anúncio aumentou a tensão dentro do grupo governista. Sabemos que a demora do governador em definir o candidato abriu racha na base, com risco de ruptura, possível saída de aliados do PSD e temor de debandada de prefeitos e deputados.
MORO NO PL
O quadro piorou quando o PL decidiu apoiar Sergio Moro para o governo do Paraná. Ratinho Junior passou a tratar a sucessão local como prioridade justamente diante dessa ameaça. E teve ainda o afastamento do Novo do grupo governista e a aproximação com a aliança entre Flávio Bolsonaro e Moro. Em outras palavras: o governador começou a ver o território político cercado no momento em que ainda cogitava voar nacionalmente.
Também houve pressão do campo bolsonarista. O governador paranaense rejeitou a ideia de abrir mão do projeto presidencial para ser vice de Flávio Bolsonaro. Poucos dias depois, a movimentação do PL no Paraná ganhou outro peso, e a entrada de Moro no PL foi tratada, nos bastidores, como fator decisivo para a desistência do governador.
FECHANDO A CONTA
É aí que a conta política fecha. Ratinho tinha aprovação de sobra no Paraná, mas aprovação regional não é sinônimo automático de viabilidade nacional. Para disputar a Presidência, ele precisaria de palanque, tempo, alianças. E, acima de tudo, de um Paraná sob controle. Sem um sucessor consolidado e vendo a própria base tensionada, seguir no jogo nacional passou a representar um risco alto demais.
No fim, a desistência de Ratinho Junior não tem cara de fraqueza. Tem cara de contenção de danos. Ele percebeu que poderia até sonhar com o Planalto. Mas, entretanto, corria o risco de perder a principal vitrine que sustenta esse sonho: o comando político do Paraná. E político experiente sabe que, antes de conquistar o país, precisa impedir que a própria casa desabe.
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