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Assembleia aprova projeto de Cristina Silvestri sobre traumas na infância
Proposta institui o dia 20 de maio como data de mobilização sobre traumas vividos por crianças e adolescentes, com ações em escolas, unidades de saúde e assistência social
As 'Experiências Adversas na Infância (ACEs), são situações traumáticas vividas por crianças e adolescentes antes dos 18 anos. Trata-se de abuso, negligência, violência doméstica, abandono, convivência com dependência química ou outras formas de sofrimento intenso dentro do ambiente familiar e social. Esses episódios podem afetar o desenvolvimento emocional, cerebral e social da criança, com reflexos que podem se estender até a vida adulta.
Para ampliar o debate sobre o tema, a Assembleia Legislativa do Paraná aprovou, em turno único, nessa segunda (15), o Projeto de Lei nº 779/2025. De autoria da deputada estadual Cristina Silvestri (PP), a proposta institui o dia 20 de maio como o Dia Estadual de Conscientização sobre as Experiências Adversas na Infância.
O objetivo, conforme a deputada, é transformar a data em um momento de mobilização, prevenção e orientação à sociedade. O projeto prevê campanhas educativas, palestras e produção de materiais informativos. Prevê-se a participação de escolas, unidades de saúde, assistência social e organizações da sociedade civil.
A proposta também autoriza o Estado a firmar parcerias com instituições públicas, privadas e organizações não governamentais para ampliar o alcance das ações. A ideia é integrar diferentes áreas do poder público e da sociedade para identificar situações de risco, acolher crianças e famílias e fortalecer políticas de proteção à infância e à adolescência.
De acordo com a deputada, o enfrentamento das experiências adversas precisa começar pela informação e pela atuação conjunta da rede de proteção.
Proteger a infância é proteger o futuro. Quando identificamos precocemente essas situações e unimos saúde, educação e assistência social, conseguimos quebrar ciclos de sofrimento que se arrastam por gerações.
ESTRESSE TÓXICO
As ACEs podem gerar o chamado “estresse tóxico”, uma resposta intensa e prolongada do organismo a situações de medo, insegurança ou violência.
Quando não há acolhimento adequado, esse tipo de estresse pode comprometer o desenvolvimento da criança e aumentar riscos futuros relacionados à saúde mental, dificuldades de aprendizagem, doenças crônicas e problemas de convivência social.
Estudos internacionais, incluindo uma pesquisa com mais de 17 mil adultos nos Estados Unidos, associam experiências traumáticas na infância a maiores riscos de transtornos mentais e doenças ao longo da vida. A Organização Mundial da Saúde também trata o tema como uma questão relevante de saúde pública.
A escolha do dia 20 de maio, de acordo com Cristina, acompanha iniciativas semelhantes já adotadas em municípios brasileiros, como Osasco, em São Paulo, e Chapecó, em Santa Catarina. Após a aprovação na Assembleia, o projeto segue agora para sanção do governador.
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